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Clipping: Mestrado Profissionalizante ganha Espaço no Mercado de Cursos

RIO - Um formato de curso ainda desconhecido de boa parte dos alunos - o mestrado profissional - promete se tornar, doze anos depois de sua criação, uma das vedetes da pós-graduação no Brasil. Os pedidos de abertura de programas desse tipo no país quintuplicaram em 2010, de acordo com informações preliminares da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) do Ministério da Educação. Em 2008 e 2009, foram entre 70 e 80 propostas de novos mestrados profissionais por ano. Agora, diz a instituição, o número saltou para cerca de 350.

A quantidade de projetos de novos cursos supera até mesmo o total de programas desse tipo em funcionamento no país: são 275, segundo dados de maio deste ano, um universo que representa 8,9% dos cursos de pós-graduação stricto sensu no Brasil. Esse número, há cinco anos, era de apenas 132. Ou seja, no período essa pós-graduação mais que dobrou. E a expectativa do governo é que o número continue a crescer, com a migração de alguns programas de MBA executivo para o modelo de mestrado profissional.

- Há um crescimento chinês na pós-graduação. Mas a avaliação será tão rigorosa e criteriosa como sempre foi

avisa o professor Lívio Amaral, diretor de avaliação da Capes.

Além do crescimento econômico que movimenta o mercado de educação, o professor ressalta que o mestrado profissional, normatizado pela Capes em 1998 e destinado essencialmente a formar recursos humanos para atuar fora da academia, ganhou um empurrãozinho de uma portaria de 2009.

O texto tentou afastar algumas dúvidas sobre o modelo, e deixou claro, por exemplo, que o trabalho de conclusão do curso, ao contrário do que ocorre no mestrado tradicional (acadêmico), não precisa necessariamente vir em forma de dissertação escrita (pode ser a demonstração de uma nova prática, um procedimento cirúrgico, um mapa geográfico, um vídeo etc.). Outros pontos positivos, segundo o diretor de avaliação da Capes, foram a definição de quem pode criar cursos desse tipo (o que inclui várias instituições que não são universitárias no sentido clássico, como institutos de pesquisa) e o fato de que os professores podem comprovar parte da produção científica obrigatória para o reconhecimento do curso com trabalhos técnicos e tecnológicos, não somente com artigos acadêmicos. Mas os artigos continuam, sim, como uma importante exigência.

O professor Alexandre Cunha, coordenador do mestrado profissional em economia do Ibmec-RJ, elogia a estratégia:

- O mais importante é que o aluno do mestrado profissional seja treinado por doutores produtivos. Se a pessoa não produz, ela não deveria nem estar lecionando no mestrado. Tem de ter uma cobrança mesmo de produção científica, que não deve ser menor do que no mestrado acadêmico.

Segundo Cunha, a avaliação dos professores está bem resolvida, mas é preciso pensar critérios para mensurar os benefícios do mestrado profissional para o aluno. No mestrado acadêmico, de acordo com o professor do Ibmec, uma evidência da qualidade do curso é a publicação da dissertação do aluno em revistas científicas ou livros. No mestrado profissionalizante, porém, esse benefício é muito difícil de ser medido, já que a ideia é que, sempre que possível, os resultados sejam aplicados no mercado e na vida profissional.

O aluno do mestrado profissional, lembra Martim Francisco, coordenador-geral de educação executiva do IAG, a escola de Negócios da PUC-Rio, tem características bem específicas:

- É um aluno que chega às aulas com mais sacrifício que no mestrado acadêmico, em que as pessoas muitas vezes se dedicam apenas ao curso. Também não existem bolsas do governo para esse curso, a maioria paga do próprio bolso, e são poucos os alunos financiados por empresas.

Oito cursos com nota máxima no Rio.

Dos 275 cursos de mestrado profissional reconhecidos pelo MEC no país, 185 têm conceito 3 (padrão mínimo para se manter credenciados), 64 foram avaliados com nota 4 ("bom desempenho") e 26 receberam conceito 5, a nota máxima para os mestrados.

Hoje, no Estado do Rio, há 53 programas de mestrado profissional, segundo o MEC. Apenas oito deles obtiveram nota máxima (5) na última avaliação: administração de empresas (PUC-Rio), economia (FGV e Ibmec-RJ), epidemiologia em saúde pública (Fiocruz), história, política e bens culturais (FGV), métodos matemáticos em finanças (Impa), saúde coletiva (UERJ) e saúde pública (Fiocruz).

Em setembro a Capes espera divulgar o resultado de uma nova avaliação de todos os cursos de pós-graduação stricto sensu no país, processo que ocorre a cada três anos. As especializações e MBAs, cursos lato sensu, não são avaliados.

Fonte: Bruno Lima, especial para O Globo. 23/06/2010 às 11:45h.

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